TABACO
A nicotina é uma substancia psicoestimulante potente e com grande
potencial de abuso, embora menor que o das anfetaminas e da cocaína. A dependência
da nicotina, e, por conseguinte a sua síndrome de abstinência, pode-se
desenvolver com o uso de todas as formas de tabaco (cigarros, fumo de mascar,
rape, cachimbo e charutos) e com o uso de gomas de mascar nicotinadas e adesivos
de nicotina. A relativa habilidade destes produtos na indução da dependência/síndrome
de abstinência depende da via de administração (pulmonar, oral, transdermica)
e do conteúdo de nicotina do produto. A
ação da nicotina ao nível do SNC parece
envolver receptores específicos e vias dopaminérgicas.
* EFEITOS
DA SUBSTÂNCIA :
A nicotina, ao ser absorvida pelo
fumante típico, causa tremor das mãos, taquicardia, padrão de ativação no
EEG (atividade rápida de baixa voltagem), diminuição do tônus em alguns músculos
esqueléticos, menor amplitude no eletromiograma e diminuição dos reflexos
tendinosos profundos. A nicotina causa náuseas e vômitos, em parte por
estimular regiões do bulbo e em parte por ativar reflexos vagais envolvidos no
ato de vomitar.
A nicotina facilita a memória, diminui a agressividade e reduz o ganho
de peso (os fumantes pesam, em media, 2 a 5 quilos menos do que os não
fumantes). A nicotina parece suprimir o apetite por alimentos doces e
aumentar o gasto calórico tanto em repouso como durante o exercício.
* DEPENDÊNCIA
DE NICOTINA :
A tolerância à nicotina e
manifestada pela ausência de náuseas e tonturas, além de outros sintomas
específicos, apesar do uso de grandes doses da droga. Também o
efeito diminuído da droga com o consumo de uma mesma quantidade mostra a
tolerância. Muitos indivíduos usam a nicotina para aliviar ou
evitar a
sua síndrome de abstinência que ocorre ao levantar-se pela manhã ou após
um período de consumo restrito (no trabalho, após uma viagem de avião).
Outros continuam a fumar mesmo após saber que tem um problema médico
relacionado ao tabaco (e.g., bronquite crônica, enfisema pulmonar, insuficiência
coronariana).
* SÍNDROME
DE ABSTINÊNCIA :
Sinais e sintomas característicos
desenvolvem-se após a suspensão abrupta do uso da nicotina, ou após a redução
do seu consumo. A síndrome de
abstinência inclui quatro ou mais dos seguintes achados: humor disfórico ou
deprimido, insônia, irritabilidade, frustração ou raiva, ansiedade,
dificuldade de concentração, agitação, impaciência, diminuição da freqüência
cardíaca, aumento do apetite e ganho de peso,
sonolência, cefaléia e
fissura pelo tabaco.
Algumas evidencias indicam que uma inalação maior de nicotina esta
associada a uma abstinência mais grave e a uma maior dificuldade em deixar o
cigarro. O numero de cigarros fumados por dia, o conteúdo de nicotina de
cada cigarro e o numero de maços fumados por ano estão relacionados à
probabilidade de um individuo parar de fumar. A dependência da
nicotina e
mais comum entre indivíduos com outros distúrbios mentais. Dependendo
da população estudada, de 55% a 90% de indivíduos com outros distúrbios
mentais fumam, comparados com 30% da população geral. Distúrbios do humor,
distúrbios de ansiedade e uso de outras drogas parecem ser mais comuns
entre fumantes do que entre ex-fumantes e indivíduos que nunca fumaram.
* DANOS E
DOENÇAS COMUMENTE ASSOCIADOS :
O catálogo de doenças
relacionadas ao tabaco é extenso: coronariopatias, doenças vasculares
cerebrais e periféricas, DPOC
(bronquite crônica,
enfisema pulmonar), neoplasias malignas (câncer do pulmão, boca, esôfago,
bexiga, pâncreas, próstata, colón), redução da fertilidade, abortamento
espontâneo, baixo peso ao nascer, depressão, ansiedade, insônia, dentre
outras.
*
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO :
1 - Terapia de substituição : esta tem sido até o momento a terapia
farmacológica mais bem sucedida. Ela se
baseia na idéia de que a administração de nicotina através de preparações
médicas diminui a necessidade de fumar. Gomas de mascar nicotinadas e adesivos
transdérmicos de nicotina são drogas licenciadas.
2 - Outras terapias:outras terapias farmacológicas têm
sido empregadas para facilitar a cessação do
fumar. Estas incluem antagonistas dos receptores nicotínicos (e.g.,
mecamilamina), clonidina (seu agonismo nos receptores alpha2-adrenérgicos ao nível
do SNC, diminuiria a fissura pelo cigarro e
outras manifestações da síndrome de abstinência), dorepina e buspirona. A
utilidade e segurança destas drogas necessitam de maiores estudos clínicos.
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