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Drogas e Álcool


OPIÓIDES E OUTROS ANALGÉSICOS NARCÓTICOS

(e.g., morfina, meperidina, codeína, propoxifeno, fentanil)
    

                                                                          

  * EFEITO DAS SUBSTÂNCIAS:

Produzem analgesia, sonolência, alteração do humor e, em doses altas, turvação do funcionamento mental, através de  depressão do SNC e da atividade cardíaca.     

     Por via endovenosa o uso é altamente gerador de dependência:  caracterizando-se por um "chute" ou sensações no abdômen inferior, lembrando um orgasmo, acompanhado por rubor na pele. Seguem-se sensações de flutuação e  euforia. Provoca diminuição do ritmo respiratório e lentificação dos  movimentos peristálticos no colón, com resultante constipação.  redução  no tamanho das pupilas (exceto com a meperidina, que provoca dilatação   das  mesmas), tremor e sinais de confusão.                                   

     Outros sintomas importantes: pigmentação aumentada sobre as veias, evidência de veias trombosadas ou com coágulos, lesões cutâneas e  abcessos diversos, pupilas pequenas ou contraídas, linfonodos aumentados.    

                                                                          

  * TOLERÂNCIA, DEPENDÊNCIA FÍSICA E SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA:

Um grau notável de  tolerância é desenvolvido em relação aos efeitos depressores respiratórios, analgésicos, sedativos, eméticos e euforigênicos dos  agonistas  opióides; entretanto, a rapidez com que essa tolerância se desenvolve, seja em dependentes, seja em pacientes clínicos, depende em parte do padrão de uso. Com o uso intermitente é possível obter-se indefinidamente efeitos analgésicos e sedativos de doses na faixa terapêutica. Somente quando a ação da droga é mais ou menos contínua é que a tolerância se desenvolve.

  Assim, quando a droga é usada com freqüência, o dependente que está tentando principalmente obter um "barato" ou manter um estado de indiferença sonhadora tem de aumentar constantemente a dose. Deste modo, alguns de pendentes podem chegar a doses fenomenalmente altas (p.ex., 2g de morfina por via intravenosa num período de 2,5 horas, sem alterações na pressão arterial, freqüência do pulso ou respiração). Embora a dose letal se  altere muito em indivíduos tolerantes, há sempre uma dose que é capaz de produzir a morte por depressão respiratória. Alem disso, a tolerância aos opióides desaparece em grande parte ao completar-se a abstinência, e muitos dependentes tomaram doses excessivas fatais ao retornar  a sua  dose anterior, imediatamente após efetuar a retirada da droga.               

     A tolerância não se desenvolve igualmente a todos os efeitos dos  opióides ou com a mesma rapidez e até mesmo usuários altamente tolerantes aos efeitos depressores respiratórios continuam a apresentar algum grau de miose e a queixar-se de constipação.    Indivíduos que são mantidos em doses orais diárias de 100 mg de metadona por mais de oito semanas ainda parecem sedados e apáticos, apresentando constrição pupilar e diminuição da freqüência respiratória.  Entretanto, a experiência com milhares de pacientes mantidos em uso de metadona por períodos de vários anos sugere que, embora a constipação seja um problema continuo, a sedação e apatia  substanciais são facilmente controladas por reduções na dose.               

     Mesmo apos vários anos a uma dose constante de metadona, a tolerância a vários dos efeitos da droga não é total. Além da constipação, insônia e diminuição da função sexual persistem em 10 a 20% dos pacientes e cerca de 50% deles queixam-se de sudorese excessiva. A sensibilidade do centro respiratório do SNC a estimulação pelo CO2 diminui. A alteração da função  hipotalâmico-hipofisária também pode persistir, embora muitos pacientes em doses elevadas de metadona tenham concentração normal de testosterona,  hormônio foliculo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH).  Entretanto, a concentração plasmática de prolactina atinge seu pico Máximo, a cada dia, aproximadamente no mesmo momento  que  a  concentração de metadona, cerca de 4 horas após uma dose oral.                              

     Os dependentes de meperidina podem usar elevadas doses diárias (3 a 4g por dia), mas não se desenvolve tolerância significativa às ações excitantes e atropiniformes da droga, que se devem principalmente a um metabólito, a normeperidina. Ao serem usadas doses muito altas de meperidina, ate mesmo dependentes tolerantes podem apresentar pupilas dilatadas, atividade muscular aumentada, espasmos, tremores, confusão mental e, ocasionalmente, convulsões tonico-clônicas.                                   

     Em geral, há alto grau de tolerância e dependência cruzadas entre os opióides com ações no mesmo tipo de receptor, mas pouca ou nenhuma tolerância cruzada entre opióides que atuam seletivamente em diferentes receptores. Como muitos dos opióides disponíveis não são integralmente seletivos e tem alguma afinidade por cada um dos diversos receptores, o grau de tolerância cruzada entre diferentes opióides é variável.        

     A natureza e a intensidade dos sintomas de abstinência que aparecem ao ser suspenso um opióide dependem de muitos fatores, que incluem a droga especifica, a duração do uso e a saúde e personalidade do dependente.   

     È útil considerar-se o quadro clinico total da síndrome de abstinência como constituído de um comportamento intencional, que é altamente dependente do observador e do ambiente e voltado a obtenção de mais drogas,  um comportamento não intencional, que não é orientado para objetivos, relativamente independente do observador e do ambiente.  Os fenômenos intencionais, incluíndo queixas, apelos, exigências, manipulações e simulações, são tão variados quanto à imaginação da população usuária de drogas.  No contexto hospitalar, eles são consideravelmente menos pronunciados quando os pacientes têm certeza de que seu comportamento não afeta a decisão de dar-lhes uma droga.                                          

     No caso da morfina, heroína ou æ-agonistas com uma duração de ação semelhante, sintomas não intencionais, como lacrimejamento, rinorréia, bocejos e sudorese, aparecem cerca de 8 a 12 horas após a última dose. Cerca de 12 a 14 horas após a última dose, o dependente pode entrar num sono inquieto, agitado, que pode durar várias horas, m acordando  mais inquieto e ansioso do que antes.  Com a progressão da síndrome, aparecem outros sinais e sintomas consistindo em pupilas dilatadas, pele arrepiada, anorexia, inquietação, irritabilidade e tremor.  No caso da morfina e heroína, os sintomas não intencionais atingem seu pico máximo em 48 à 72 horas.  Quando a síndrome se aproxima da intensidade máxima, o paciente apresenta irritabilidade crescente, insônia, anorexia acentuada,  violentos bocejos, espirros intensos, lacrimejamento e coriza. A fraqueza  e depressão são pronunciadas. náuseas e vômitos são comuns, assim como  espasmos intestinais e diarréia. A freqüência cardíaca e a pressão arterial se elevam. Sensações de frio intenso, alternando com enrubescimento e sudorese excessiva, são características. Uma atividade piloromotora levando a ondas de pele arrepiada e proeminente, e a pele assemelha-se a de um peru desplumado. Esta característica é a base da expressão "cold turkey" (peru frio), que significa abstinência sem tratamento.  Cólicas abdominais e dores nos ossos e músculos das costas e extremidades também são características, assim como espasmos musculares e os movimentos de chute que podem ser a base de expressão "chutar o hábito".  A resposta respiratória ao CO2, que diminui durante a administração de opióides, apresenta-se exagerada durante a abstinência. Fenômenos de rebote são também observados no sistema endócrino. A leucocitose é comum, sendo freqüentemente observadas contagens de leucócitos acima de 14000/mm3.      

     A não ingestão de alimento e liquido, combinada aos vômitos, sudorese e diarréia, acarretam acentuada perda de peso, desidratação, cetose e distúrbios do equilíbrio acido-básico.  Ocasionalmente há colapso cardiovascular. Entretanto, não ocorrem crises convulsivas e a síndrome de abstinência raramente ocasiona risco de vida.  A qualquer ponto na evolução da abstinência, a administração de um opiáceo adequado suprime dramática e integralmente os sintomas de abstinência.  Sem tratamento, a fase aguda da síndrome de abstinência a morfina segue sua evolução; muitos dos sintomas macroscopicamente observáveis desaparecem de 7 a 10 dias, mas não é certo o tempo necessário para restaurar-se totalmente o equilíbrio fisiológico.                                                                 

     A síndrome inicial de abstinência de opióides, caracterizada pelos sinais e sintomas acima descritos, pode ser seguida por uma síndrome de abstinência protraída durante a qual algumas variáveis fisiológicas atingem valores subnormais.  Por exemplo, um período de hipossensibilidade aos efeitos estimulantes respiratórios de CO2, persiste por muitas semanas após desaparecer a sensibilidade exagerada do período inicial de abstinência.  Alem disso, parece haver sutis manifestações comportamentais, que incluem incapacidade em tolerar o estresse, uma auto-imagem ruim e excessiva preocupação quanto ao desconforto.  E razoável postular-se que esses estados alterados contribuem para a tendência dos usuários compulsivos de opióides a recidivar após a abstinência.                        

     A retirada abrupta da metadona produz uma síndrome que é qualitativamente semelhante aquela da morfina, mas que se desenvolve mais lentamente  e é mais prolongada, embora geralmente de menor intensidade. O dependente  tem poucos sintomas ou nenhum deles até 24 a 48 horas após a última dose, queixando-se depois de fraqueza, ansiedade, anorexia, insônia, desconforto abdominal, cefaléia, sudorese, dores nos músculos e ossos e ondas de calor e frio.  Como ocorre na abstinência de morfina, há náuseas, vômitos, aumento na temperatura corporal, pressão arterial, pulso, freqüência respiratória e tamanho das pupilas.   Em geral, após a retirada abrupta, a síndrome de abstinência primária ou inicial atinge sua intensidade máxima por volta do terceiro dia e pode começar a diminuir somente na terceira semana; a recuperação aparente pode  ocorrer  na sexta ou sétima semanas. A síndrome de abstinência inicial é seguida de  uma  síndrome de abstinência secundária ou protraída em que vários dos parâmetros fisiológicos anteriormente elevados atingem valores subnormais e  permanecem assim até a vigésima quarta semana pos-retirada, ocorrendo distúrbios psicológicos concomitantes, tais como fatigabilidade, fraqueza,  hipocôndria, e sensações de menor eficiência. Até mesmo com redução muito lenta da dose, pacientes que eram mantidos em doses elevadas de metadona ou acetato de metadil apresentam sintomas de abstinência qualitativamente semelhantes durante e após o período de redução da dose.                 

     A síndrome de abstinência de meperidina desenvolve-se geralmente dentro de 3 horas após a ultima dose, alcançando seu pico máximo dentro de 8 a 12 horas e depois declina, de modo que poucos sintomas são evidentes apos 4 a 5 dias. O desejo da droga pode ser intenso, mas os sinais autônomos não, embora presentes, não são tão proeminentes; as pupilas podem não se dilatar muito e há geralmente poucas náuseas, vômitos ou diarréia. No entanto, a intensidade máxima dos espasmos musculares, a inquietação e o nervosismo podem ser piores do que durante a abstinência da morfina.                                                                

     Os sintomas de abstinência com outros opióides que agem em receptores alfa são qualitativamente semelhantes àqueles após a morfina, parecendo seguir a regra geral de que drogas de menor duração de ação tendem a produzir síndromes de abstinência mais curtas e mais intensas, enquanto drogas que são eliminadas lentamente produzem síndromes de abstinência que são  prolongadas, porem leves.                                                

 

*"Abstinência em Recém nascidos".

 

 Bebes nascidos de mães que estavam usando regularmente agonistas ou agonistas-antagonistas opióides antes do

 parto tornam-se fisicamente dependentes. Os sinais de abstinência incluem irritabilidade e choro excessivo e em tom alto, tremores, sucção frenética do punho, reflexos hiperativos, aumento da freqüência respiratória, fezes aumentadas, espirros, bocejos, vômitos e febre. Com a heroína, os sinais aparecem mais comumente nos primeiros dias de vida; eles podem não aparecer por vários dias no caso da metadona. A intensidade da síndrome nem sempre se correlaciona com a duração do uso ou com a dose de opióides da mãe. O uso de elixir paregórico (0,2 mg por via oral a cada 3 a 4 horas, aumentando conforme o necessário até que os sintomas sejam controlados) parece ser uma abordagem racional e eficáz no tratamento desta abstinência quando não há dúvida quanto a uma dependência simultânea de álcool e outros sedativos. Embora os sintomas de abstinência geralmente sejam mais intensos em bebes nascidos de mães que eram mantidas em uso de metadona em comparação com aquelas que usavam heroína, a maior oportunidade de proporcionar atendimento pré-natal às mães mantidas em uso de metadona, leva a uma significativa redução no desconforto e mortalidade fetais gerais.                                                            

     Quando a mãe é mantida com metadona, qualquer redução da dose tem de ser gradual e o feto tem de ser monitorizado cuidadosamente, porque a abstinência de um opióide é potencialmente letal para o feto.           

 

* "Antagonistas opióides".

 

  As síndromes de abstinência anteriormente descritas são aquelas observadas ao serem abruptamente retirados os opióides. Entretanto, quando se administra um antagonista, como naloxona, desenvolve-se uma síndrome de abstinência dentro de alguns minutos da  administração parenteral, atingindo sua intensidade máxima dentro de 30   minutos. Até que parte do antagonista seja eliminada nem mesmo altas doses de opióide anteriormente usado podem suprimir a síndrome em todas as ocasiões; a supressão parcial é possível utilizando-se altas doses do opióide, mas isto pode então produzir depressão respiratória ao desvanecer-se a ação do antagonista. Dependendo da dose do antagonista, a abstinência precipitada é geralmente mais grave do que aquela observada após a retirada abrupta de uma droga, especialmente no caso de opióide de longa duração e ação.                                                          

                                                                          

* INTOXICAÇÃO AGUDA: 

 

   As situações de emergência mais comumente observadas são as reações tóxicas e problemas clínicos.  

     As superdosagens são uma causa mortis significativa entre os usuários destas substancias. A condição física domina o quadro clinico.  Os sintomas específicos dependem da droga, do tempo de uso e da condição geral do paciente.                                                                

     A variação da sintomalogia pode incluir respiração diminuída, lábios azulados e corpo pálido ou azulado, pupilas em cabeça de alfinete (a menos que exista dano cerebral, quando podem estar dilatadas), hiperemia da mucosa nasal (quando aspirada), marcas recentes de picadas (inclusive agulha no braço), edema pulmonar caracterizado por respiração ruidosa e ofegante, arritmias cardíacas e/ou convulsões (principalmente em usuários de codeína, propoxifeno e meperidina). O paciente apresenta-se letárgico ou comatoso.  A morte parece ocorrer por uma combinação de depressão respiratória e edema pulmonar e/ou cerebral.                               

                                                                          

* DANOS E DOENÇAS COMUMENTE ASSOCIADOS: 

 

Infecções resultantes de agulhas contaminadas (ver cocaína); arritmias cardíacas, endocardite; úlceras gástricas, insuficiência renal secundária a infecções; pneumonia, abcessos pulmonares, tuberculose; anemias; destruição muscular; broncoespasmo e sibilância; hepatites B e C; AIDS.                                                    

                                                                          

* SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA: 

 

As reações à abstinência são variáveis e dependem da droga utilizada. Para a heroína (rara no Brasil), inicio em torno de 4-6 horas após a ultima dose. A prevalência e intensidade do quadro aumentam diretamente com a dose, a duração do uso e o período de tempo pelo qual a dose é adiada e, inversamente, com o estado de saúde do usuário.                                       

     Os sinais e sintomas mais comuns são desejo intenso pela droga, lacrimejamento, coriza, bocejos, sudorese, sono agitado, pupilas dilatadas, fraqueza, irritabilidade, tremores, insônia, perturbações gastrintestinais e cólicas, calafrios, rubor, câimbras insuportáveis, ejaculação, dores abdominais.                                                         

                                                                          

  * TRATAMENTOS FARMACOLOGICOS PARA A DEPENDÊNCIA E ABUSO DE OPIÓIDES:

                                                                          

  1 - TERAPIA AGONISTA DE SUBSTITUIÇÃO:

Para muitos pacientes com recaídas crônicas de uso de opióides, a melhor opção é o tratamento de manutenção com opióides de ação prolongada.   Destes, a metadona é o mais estudado e largamente utilizado.            

  O levo-alfa-acetilmetadol (LAAM) é um agente com ação mais prolongada do que a da metadona que pode ser administrado menos freqüentemente.  A bupremorfina, um agonista opióide parcial, tem mostrado resultados promissores no tratamento da dependência de opióides, mas necessita de maiores estudos.  Os objetivos primários dos programas de manutenção com metadona (ou LAAM) são:

     a) atingir uma dose de manutenção estável que reduza a fissura e o uso de opióides ilícitos (e.g., heroína);

     b) facilitar o engajamento do paciente em programa de prevenção da dependência e abuso de outras drogas e promoção da reabilitação.   

                                                                          

  2 - TRATAMENTO COM ANTAGONISTA OPIÓIDE:

O uso do naltrexone, um antagonista opióide é uma alternativa aos programas de manutenção com metadona.  O objetivo do tratamento é bloquear os efeitos de doses usuais de heroína ou outros opióides, dessa forma desencorajando o uso e facilitando o desaparecimento da fissura pela droga.                                                               

     O naltrexone não possui potencial de abuso e pode ser um importante recurso no tratamento da dependência de opióides.                       

                                                                          

  3 - TRATAMENTO DA INTOXICAÇÃO AGUDA:

 A intoxicação com um opióide de meia-vida curta (e.g., 3-4 horas para a heroína) pode ser tratada numa sala de emergência, sendo a alta dada após poucas horas de observação.  A "overdose" com metadona ou LAAM, que tem meias-vidas longas (e.g., 15-40 horas para a metadona), requer observação intensiva por um mínimo de 24-48 horas.                      

     Os pacientes com sinais de depressão respiratória,  estupor  ou  coma necessitam de assistência ventilatoria.  O edema pulmonar, se presente, pode ser tratado com ventilação com pressão positiva.                   

     O naloxone (NARCAN), um antagonista opióide puro, revertera à depressão respiratória e as outras manifestações da overdose de opióide. A dose usual é de 0,4 mg (1 ml) EV.  Uma resposta positiva, caracterizada por aumento da freqüência e volume respiratórios, aumento da PA sistólica e dilatação da pupila, deve ocorrer dentro de 2 minutos. Se não houver resposta, a mesma dose de naloxone ou uma dose maior (e.g., 0,8 mg) poderá ser dada 2 vezes a intervalo de 5 minutos.  A ausência de resposta ao naloxone sugere uma etiologia concomitante ou completamente diferente para o caso (e.g., overdose de barbitúricos, TCE).                           

     Em pacientes que são fisicamente dependentes de opióides, o naloxone pode precipitar sinais e sintomas de abstinência, os quais podem aparecer em poucos minutos e durar varias horas.                                 

                                                                          

  4 - TRATAMENTO DA ABSTINÊNCIA: 

 O tratamento da síndrome de abstinência de opióides visa uma melhora segura dos sintomas e a facilitação da inclusão do paciente num programa de recuperação e/ou reabilitação.   Quatro são as estratégias farmacológicas mais usadas, a saber:                                                         

     a) uso de metadona em substituição ao opióide usado, com posterior redução progressiva da dose de metadona;

     b) retirada abrupta dos opióides e uso da clonidina para suprimir os sintomas da abstinência;

     c) desintoxicação com clonidina e naltrexone, onde os sintomas de abstinência são precipitados pelo naltrexone e, então, suprimidos pela clonidina;                                                        

     d) terapêutica de substituição com a bupremorfina, sendo a mesma retirada posteriormente de forma gradual ou abrupta.                  

 

     OBSERVAÇÕES:                                                         

             1) O FDA (Food and Drugs Administration) não aprova o uso da clonidina para o tratamento da síndrome de abstinência de opióides.                                                 

             2) No Brasil mais comumente se usa a codeína na terapêutica de  substituição da síndrome de abstinência de opióides.      




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