COCAÍNA
Em nosso meio a cocaína é utilizada, principalmente, por três vias:
nasal (aspirada), endovenosa (EV) e pulmonar (fumada sob a forma de crack).
* EFEITO DAS SUBSTÂNCIAS:
Sensação de euforia e bem-estar, idéias de grandiosidade,
irritabilidade, aumento da atenção para estímulos externos, prejuízo na
capacidade de avaliação e julgamento da realidade. O usuário passa a
falar e a mover-se com
maior rapidez e não sente sono, fome ou fadiga.
Com o aumento da dose: reações de pânico, sensação de estar sendo
perseguido, às vezes alucinações auditivas e táteis (escutar vozes, sentir
sensações de bichos andando pelo corpo). O quadro completo é chamado de
psicose cocaínica, com manifestações paranóides agudas.
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* INTOXICAÇÃO AGUDA:
Em intoxicação com doses mais altas, quadro de confusão mental (síndrome
Cerebral orgânica - SCO), discurso incoerente, surgimento de comportamentos
bizarros.
Elevação da pressão arterial e da freqüência cardíaca podendo
causar diminuição do diâmetro das artérias coronárias. A combinação
desses dois fatores pode também provocar infarto do miocárdio, mesmo em
pessoas sem problemas cardíacos prévios. Podem ocorrer arritmias causando
morte súbita. Menciona-se
sangramentos cerebrais em pessoas que tenham malformações vasculares (o que não
e raro), bem como convulsões generalizadas. Pode haver hipertermia, passível
de induzir convulsões.
O consumo elevado de cocaína pode ocasionar a morte por parada respiratória,
causada por ação direta nos centros nervosos responsáveis pelo controle
involuntário da respiração.
* DANOS E DOENÇAS COMUMENTE ASSOCIADOS:
Com uso nasal: perda da sensibilidade olfativa, atrofia da mucosa com
rinite crônica e perfuração do septo nasal
Com uso pulmonar: possibilidade de lesão pulmonar com diminuição da
capacidade de oxigenação no sangue, por fibrose intersticial.
Com uso endovenoso: por esta via ocorrem dois tipos de complicações, não
infecciosas e infecciosas(aquelas causadas por contaminação quando da aplicação
da injeção).
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COMPLICAÇÕES NÃO INFECCIOSAS:
O pó da cocaína contem em
geral, substâncias adicionais (impurezas). Na injeção, estas podem causar reações
alérgicas, de gravidade variável, indo de um simples "rash" cutâneo
(pele avermelhada e irritada) até a morte. Embolia e fibrose
pulmonar podem ocorrer reações de irritação local e flebite.
* COMPLICAÇÕES INFECCIOSAS :
Causadas pelo uso comum de utensílios
contaminados, utilizados no preparo e na aplicação da injeção, tais como
agulhas, seringas, potes, colheres, etc. Abscessos de pele e músculos, infecções
sistêmicas: endocardite bacterianas infecções pulmonares, hepatites virais,
doença de Chagas, sífilis, septicemias e AIDS.
É
importante salientar que as complicações por uso endovenoso de drogas podem
ocorrer mesmo em usuários esporádicos embora os dependentes apresentem maior
probabilidade para as mesmas.
* SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA:
A existência de uma síndrome de
abstinência de cocaína é hoje cientificamente aceita. As manifestações clínicas,
embora ainda controvertidas
e mal definidas, sobretudo em relação à duração, incluem cansaço e
sono in tensos, aumento do apetite,
irritabilidade, ansiedade, depressão, anedonia,
distúrbios do sono (insônia ou hipersonia) e retardamento psicomotor
e fissura pela droga. Estas manifestações desaparecem progressivamente
em algumas semanas.
Estudos recentes dividem a síndrome de abstinência de cocaína em 3
fases, a saber:
A - fase aguda ou "crash", vista após uso prolongado de altas
doses de cocaína e caracterizada por intensa fadiga e depressão grave, às
vezes acompanhada de ideação suicida;
B - fase de abstinência gradual;
C - fase de extinção, cuja duração variaria de 1 a 10 semanas.
* TRATAMENTO FARMACOLÓGICO PARA A DEPENDÊNCIA E ABUSO
DE COCAÍNA:
1 - intoxicação aguda: O tratamento da intoxicação aguda por cocaína
tem sido objeto de pouca investigação sistemática. Em geral, como não existe
antídoto especifico, da cocaína, o tratamento é tipicamente sintomático e de
suporte. A intoxicação aguda por cocaína pode provocar delírios paranóides.
Embora drogas
neurolépticas possam ser usadas, a maioria dos
pacientes recupera-se em poucas horas sem requerer nenhum tratamento. Os
pacientes que se tornam extremamente agitados e/ou potencialmente perigosos
podem exigir sedação,
geralmente usando um benzodiazepínico.
O uso agudo de cocaína pode também provocar hipertensão, taquicardia e
convulsões. Informações de estudos com animais e de alguns estudos clínicos
contra-indicam o uso de bloqueadores adrenérgicos e antagonistas dopaminérgicos
nos casos de intoxicação aguda por cocaína. Ha relatos favoráveis quanto ao
uso do labetalol, nestes casos, mas não há estudos clínicos confirmando tais
relatos. Os benzodiazepínicos são freqüentemente usados na intoxicação
aguda por cocaína. Não há evidência de que os anticonvulsivantes previnam as
convulsões provocadas pela cocaína, não estando os mesmos indicados para este
propósito.
2 - Tratamento da síndrome de abstinência: Embora uma série de
estudos mostre resultados promissores,
nenhuma medicação com eficácia comprovada foi encontrada para o
tratamento da dependência de cocaína, mesmo após o estudo de mais de 20
medicamentos diferentes. Conseqüentemente, o
tratamento farmacológico da dependência de cocaína não e
ordinariamente indicado na abordagem inicial do paciente dependente da droga.
Entretanto, pacientes
com formas mais graves de dependência ou que não respondem ao
tratamento psicossocial
podem ser candidatos a uma terapêutica de prova.
Até o momento, a desipramina, um antidepressivo tricíclico, e a
amantadina, uma amina tricíclica
antiviral usada na doença de Parkinson, parecem
ter tido os melhores resultados para aquele fim.
Outros agentes usados no tratamento da dependência de cocaína de forma
experimental e não definitiva: carbamazepina, fluoretina, maprotitilina,
bupropiona, buprenorfina, dentre outros.
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