ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS
Em
geral, os efeitos subjetivos de barbitúricos , fármacos sedativos e ansiolíticos
relacionados, são semelhantes, porém não idênticos aos do etanol.
Os efeitos variam consideravelmente com a dose, a situação e a
personalida
de do usuário. Este fato é importante clinicamente, uma vez que podem ocorrer
dependência e tolerância cruzadas entre estas drogas. Do ponto de vista
neurobiológico, isto se explica pela ação do álcool, barbitúricos e
benzodiazepínicos ao nível do mesmo receptor GABA-érgico no SNC.
* EFEITO
DAS SUBSTÂNCIAS:
Ocasionam depressão
reversível do sistema nervoso central, caracterizada por leve sonolência
e níveis variáveis de sedação, a qual pode levar a morte por depressão cardíaca
ou respiratória. Podem causar excitação (reação paradoxal) em crianças ou
idosos.
* INTOXICAÇÃO
AGUDA:
O problema mais freqüente é a
superdosagem tóxica, provocando sedação acentuada, além de funcionamento
diminuído do coração e aparelho respiratório. Podem ocorrer arritmias cardíacas
e congestão pulmonar.
No
caso particular da intoxicação aguda por benzodiazepínicos, o flumazenil,
primeiro antagonista específico dos benzodiazepínicos submetido a
testes clínicos exaustivamente, pode ser empregado com sucesso.
Os
estados psicóticos são, na maioria das vezes, temporários. Caracterizam-se
por início agudo, sensório claro, alucinações auditivas e ou idéias
delirantes-paranóides.
* PREVALÊNCIA,
DROGAS EMPREGADAS E PADRÕES DE USO:
A incidência e a prevalência do
uso de barbitúricos, benzodiazepínicos e drogas relacionadas superam aquelas
dos opióides. Embora esse uso não tenha declinado , em 1988, 6% dos adultos
jovens relataram uso não de sedativos 1%
deles descrevendo algum uso no mês anterior. Cerca de 8% deles indicaram alguma
experiência com o uso não de tranqüilizantes (dados dos EUA).
USO ABUSIVO
DE DROGAS: os usuários de opióides freqüentemente
tomam barbitúricos, benzodiazepínicos ou outros sedativos para aumentar os
efeitos da heroína ilícita fraca ou produzir efeitos psicológicos quando eles
se tornam tolerantes aos opióides prescritos. Muitos usuários de heroína e
pacientes mantidos com metadona são fisicamente dependentes tanto de opiáceos
como de sedativos. Alguns alcoólatras usam sedativos para aliviar a síndrome
de abstinência do etanol ou para produzir um estado de embriaguez desprovido de
odor de álcool. Os barbitúricos de ação curta como o pentobarbital ("yellow
jackets") o secobarbital("red devils") são preferidos em lugar
de outros de ação longa como o fenobarbital. Não como meprobamato,
glutetimida, metiprilon, metaqualona e alguns benzodiazepínicos de ação mais
curta também, são usados de forma abusiva. O paraldeído e o hidrato de
cloral, sujeitos a considerável uso abusivo no passado foram agora em grande
parte substituídos pelos fármacos citados.
O
clordiazepóxido e alguns outros benzodiazepínicos, que tem mínimas ações
euforizantes e inicio de efeito relativamente lento, são raros como
drogas de uso abusivo. Indivíduos normais não consideram
benzodiazepinicos como particularmente reforçadores. Contudo, para alguns indivíduos,
incluindo alcoólatras e usuários abusivos de sedativos, certos benzodiazepínicos
são reforçadores. Compostos mais lipossolúveis, como diazepam, alprazolam e
lorazepam têm início de ação mais rápido e parecem ter maior probabilidade
de ser usados para fins não terapêuticos, sendo que alguns usuários abusivos
de sedativos preferem-os em lugar de barbitúricos de ação curta.
Os
padrões de uso não como sedativo-hipnóticos são extremamente diversificados.
Variam de raras farras com uma grande embriaguez, durando alguns dias, até o
uso diário, compulsivo e prolongado de grande quantidade da droga e uma
preocupação com a obtenção e manutenção de suprimento adequado. Alguns usuários
podem não apresentar nunca uma embriaguez maior e apesar disso tomar drogas várias
vezes ao dia. O contato original com a droga pode ter sido pela prescrição médica
ou pelo comércio ilícito de drogas. Em pacientes clínicos, o desenvolvimento
do problema pode ser gradual, começando
pelo uso prolongado para insônia ou ansiedade e progredindo pelo aumento da
dose a noite para algumas cápsulas para sedação pela manhã. Afinal a droga
passa a ser parte importante da vida do usuário.
Nem
o paciente tomando benzodiazepínicos para a ansiedade ou insônia por um período
(alguns meses), nem mesmo o médico que o prescreve pode, reconhecer a existência
da dependência. Ambos podem supor que a ansiedade, os tremores e a insônia que
surgem ao ser suspensa a droga, seja um retorno da ansiedade ou insônia
originais. Em algumas situações, não se pode traçar uma linha nítida entre
o uso apropriado e a dependência de drogas.
Muitos
usuários tomam as drogas oralmente, mas alguns indivíduos injetam os barbitúricos
por via intravenosa ou intramuscular. Esses usuários podem
ser reconhecidos pelos grandes abscessos que cobrem as áreas acessíveis
de seu corpo.
A
associação de anfetaminas e barbitúricos produz maior elevação do humor que
qualquer das drogas isoladamente.
Os mecanismos deste efeito supra-aditivo não foram esclarecidos, mas a
competição pelo mesmo sistema enzimático microssômico e portanto, a produção
de concentrações sanguínea mais elevada dessas drogas podem ser parcialmente
responsáveis.
A
quantidade de hipnótico que pode ser tomada varia consideravelmente,
mas uma dose média diária de 1,5 g de barbitúricos de ação curta não
é rara e alguns indivíduos consomem ate 2,5 g diariamente por muitos mêses. Múltiplos
semelhantes das doses terapêuticas diárias habituais são
tomados pelos usuários compulsivos de meprobamato, glutetimida e
metiprilon.
Os usuários abusivos de benzodiazepínicos podem ingerir varias centenas de
miligramas de diazepam ou seu equivalente todos os dias.
* TOLERÂNCIA, DEPENDÊNCIA FÍSICA
E SINTOMAS DE ABSTINÊNCIA:
A intoxicação prolongada
com barbitúricos de ação curta (e.g., pentobarbital e secobarbital) e hipnóticos
relacionados (e.g., clorazepato, flurazepam e midazolam) acarreta tanto tolerância
farmacocinética como farmacodinâmica. A tolerância farmacodinâmica é
desenvolvida também na maioria das ações dos benzodiazepínicos, mas a tolerância
farmacocinética não e tão acentuada. Na verdade,
o lento acumulo de metabólicos ativos de alguns benzodiazepínicos tende
a obscurecer o desenvolvimento das alterações adaptativas do SNC.
E característico da adaptação a este grupo de substâncias que, embora
possa haver tolerância considerável dos efeitos sedativos e intoxicantes, a
dose letal não e muito maior nos dependentes do que nos indivíduos normais.
Por
conseguinte, a intoxicação aguda por barbitúricos ou meprobamato pode ser
acidental ou intencionalmente superposta a intoxicação crônica em qualquer
ocasião. A tolerância cruzada entre vários compostos deste grupo é comum.
Os benzodiazepínicos parecem ser consideravelmente mais seguros do que
os barbitúricos e sedativos relacionados, pois a intoxicação aguda por
excesso de dose tem muito menor propensão a produzir uma depressão respiratória
fatal.
Há acentuadas semelhanças entre as síndromes de abstinência,
observa-se com todas as drogas
sedativo-hipnóticas. Embora essas síndromes não sejam
idênticas, ainda assim parece justificado o uso do termo
"síndrome de abstinência
de depressores gerais" para
designar as manifestações de
abstinência de qualquer um desses fármacos. Em sua forma mais leve, esta
síndrome pode consistir apenas de anormalidades paroxísticas do
EEG, aumentos de rebote no sono REM, insônia ou ansiedade. Quando a síndrome
é grave pode haver também crises convulsivas tonico-clônicas e estados
confusionais. Em contraste com a abstinência dos opióides, a síndrome de
abstinência a essas drogas pode ser uma emergência médica com risco de
vida.
* DANOS E
DOENÇAS COMUMENTE ASSOCIADOS:
Perturbações da memória
(reversíveis), redução na capacidade de
julgamento e de performance motora e de trabalho, devida à sedação;
precipitação de insuficiência respiratória em indivíduos com doença
pulmonar obstrutiva crônica; comportamento
agressivo, depressão.
* SÍNDROME
DE ABSTINÊNCIA:
Após 12-16 horas da ultima dose,
dependendo da meia-vida da substancia, os principais sintomas
são: ansiedade, tremores, fraqueza, náuseas, vômitos, câimbras, insônia,
reflexos aumentados.
Com 24 horas de abstinência: fraqueza, tremores, reflexos aumentados,
apelos pela droga; período de alto risco para convulsões do tipo
"grande mal" e
delirium.
Com 24-72 horas sem droga sedativa observa-se a intensificação máxima
dos sintomas. A partir dai,
desaparecem gradualmente (apos 3-7
dias sem droga). Durante os próximos seis meses o paciente pode apresentar
alguma ansiedade, distúrbios do sono e irregularidade do sistema nervoso autônomo
(SNA).
*
TRATAMENTO:
A
maioria dos dependentes de ansiolíticos consegue suportar bem a parada abrupta.
Em alguns casos, pela gravidade da dependência,
ou aos dependentes de barbitúricos, aconselha-se à suspensão gradativa tendo
como base 20% da dose comumente utilizada.
Antidepressivos podem ser necessários.
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